Costumo dizer que pessoas tem sabor tal qual ocorre na natureza com as frutas. A diferença é que o limão não tem a opção de ser mais doce, ou a jabuticaba de ser amarga, se não sofrerem a interferência de um cientista, ela por si mesma não tem a força ou a condição de ser diferente.
Contudo, nós seres humanos somos dotados de uma condição que nos diferencia dos animais e das plantas, temos desejo, vontade, e podemos ser mais doces ou mais amargos.
Neste sentido podemos entender que o ser humano também tem um certo sabor, ou seja, existem pessoas amargas, pessoas que vivem de mal com a vida, acordam e ao invés de se alegrarem por terem um novo dia, elas resmungam e já iniciam o dia de mal humor.
Bem, certamente que pessoas assim não tem um sabor que agrada muita gente, na natureza Mineira existem vários exemplos, um deles é o da fruta chamada Pequi, muitos adoram e muitos odeiam. Se a pessoa que é amarga não se incomoda de ser assim não tem porque mudar, se transformar em uma pessoa mais doce, ou gentil. Se ela convive bem consigo mesma é o suficiente para manter-se como é. Mas, nós podemos ser diferentes em tudo o que quisermos, se não consegue fazer muitos amigos e isto é uma questão que incomoda, tem-se a opção de mudar algo em si mesmo, talvez o sabor, ou o jeito de fazer as coisas, de modo a agradar mais pessoas e de repente conquistar novos amigos. Porém, se a pessoa não tem uma questão, se não tem algo que incomoda pode viver como é, sem problema.
Na consultoria vejo isto acontecendo de uma forma muito peculiar com alguns profissionais. Existem várias profissões no mercado, mas vou dar um exemplo de algo que acontece com um cliente que atua na área da arquitetura. Ele além de arquiteto é paisagista e geobiólogo, veio estudando muita coisa e hoje é um profissional que tem uma leitura muito interessante da relação das pessoas com seus espaços de moradia e profissional, contudo ele tem uma demanda que se resume no fato de querer crescer e ter mais clientes. Em uma sessão trabalhamos a sua questão e eu disse a ele: será que o produto que você está vendendo é objeto de desejo da “massa” de consumidores?
Pois, se observar bem o que a “massa” anda consumindo em relação à arquitetura vai perceber que a maioria das pessoas não querem um arquiteto que mede as energias que sobem da terra e que de alguma forma influenciam em suas vidas. A maioria das pessoas querem um arquiteto que faça um projeto e compreenda o que ela deseja e só. O plus que você oferece não é algo que as pessoas estão buscando, a sua intenção é atuar de uma forma diferente e isto não é o que as pessoas querem para as suas vidas, em geral as pessoas querem o básico sem muita firula, principalmente se esta firula tem algo a ver com energias sutis. Na sessão foi ficando claro para ele que quanto mais diferente é o trabalho de um profissional hoje, quanto mais ele é sistêmico, ou seja, quanto mais ele integrar áreas de diferentes saberes, menos ele agrada ao sabor da “massa” consumidora e dessa forma menos cliente ele terá. A “massa” consumidora que é a maior parte do mercado não tem ainda um saber muito amplo e desta forma procura produtos que ela tem alguma compreensão. Na área da arquitetura por exemplo, a maioria das construções ainda não tem a presença de um arquiteto, em geral é um mestre de obras, em outros casos um engenheiro e no restante entra o arquiteto, em um mercado mínimo entra o arquiteto que além de projetar a casa vai medir as energias através da geobiologia ou do Feng Chui por exemplo.
E isto vale para todos os profissionais que de alguma forma tem uma proposta mais integrada, ou sistêmica, ou que esteja unindo o saber denominado científico com saberes “não científicos” ou provenientes do oriente.
O mesmo acontece por exemplo com a Homeopatia, observe em sua cidade quantos alopatas tem e quantos homeopatas, o número de churrascarias e restaurantes vegetarianos, o número de escolas com pedagogia construtivista e pedagogia Waldorf.
E é nesta diversidade de saberes e sabores que você deve se posicionar mercadologicamente falando. Se o seu produto é “arroz integral” tem que estar claro para você que terá poucos consumidores, mas se o seu produto é “churrascaria” deve saber que terá um amplo mercado. A “massa consumidora” em geral quer produtos “churrasco”, ou seja, preferem ver uma comédia na TV a um programa de entrevista com um filósofo ou um cientísta político. O materialismo ainda impera e muito na sociedade e interfere na forma de pensar da grande maioria dos consumidores.
Se a sua questão é ampliar seu mercado, ou ter mais clientes e ganhar mais dinheiro, deve refletir primeiramente qual o sabor do seu produto, é “arroz integral” ou é “churrasco”. Toda escolha tem um preço, temos que escolher, se somos profissionais cuja proposta é diferenciada, talvez nossa caminhada seja lenta, com poucos clientes, porém se somos produto de massa, talvez tenhamos mais mercado, teremos mais clientes e talvez ganhemos mais dinheiro.
Temos que pesquisar dentro para saber que sabor tem a nossa alma, o que realmente nos toca, com o que ou com que mercado queremos trabalhar, o que não dá é um sujeito de alma “integral” vendendo seu produto como se fosse “churrasco”, pode ser uma violência para conigo mesmo. Talvez seja melhor buscar ajuda de um especialista e se posicionar de forma mais profissional no mercado, mas vender algo que esteja coerente com sua alma, com seu desejo mais profundo.