Outro dia iniciei uma viagem a respeito de um remédio para micose, isto micose, um fungo que às vezes resolve alojar-se em uma de nossas unhas. A solução em geral é matar o fungo para ficar novamente com a unha, digamos, normal.
Daí fiquei pensando porque a nossa ciência continua trabalhando com o conceito de matar a doença para o sujeito ficar curado? Porque matar a erva daninha que subiu em uma árvore? Porque matar a doença ou aquilo que de alguma forma é negativo para uma pessoa ou para uma sociedade?
Para todas as direções que olharmos de alguma forma este modelo está atuando, ou seja, para restabelecer a saúde de uma pessoa é necessário matar o que está fazendo mal a ela.
Se uma planta está doente dá-se um remédio a ela para matar a doença. Bem, este modelo vem de muitos anos e permeia toda a nossa sociedade. Se um aluno não aprende ele é retirado do meio e levado para outro lugar.
Se um funcionário não serve, é eliminado. Estrapolando para o âmbito espiritual, será que na espiritualidade resolvem-se os possiveis desequilíbrios matando o mais fraco, ou matando o que não está equilibado?
Há séculos atrás Lavousier disse: “na natureza nada se cria tudo se transforma”, porque então continuamos matando ao invés de transformar? Transformar a nós mesmos e não o outro como tentamos fazer a todo o momento. Se cada um se autotransformar, ou se implicar em seus processos internos, se autoconhecer, com certeza teríamos uma sociedade mais consciente de seus deveres e obrigações, talvez matariamos menos e transformaríamos mais.
Voltando na micose, porque ao invés de dar um remédio para matar a micose, que é um ser vivo, conseguisse-mos um método, um medicamento que fortalecesse a unha, ou o dedo, ou organismo para que ele retome sua homeostase e não tenha mais ambiente para o fungo por exemplo, de maneira que o fungo tenha que mudar de hospedeiro, ou um pouco mais a frente, que o fungo adquira uma consciencia que possa se alimentar de algo diferente e não precise mais se alojar na unha de alguém.
Tudo é questão de ponto de vista, ou focamos em matar a doença ou em fortalecer o sujeito para que ele não fique doente, ou ainda que seu organismo mantenha-se equilibrado mais tempo.
Dentro das empresas o modelo não é diferente, qualquer anomalia que é tida como algo anormal é na maioria das vezes resolvida cortando-se o problema pela raiz. Muitas empresas funcionam como “morte subita em segundo tempo de prorrogação, funcionário errou? fornecedor errou = demissão. A demissão é tal qual o remédio que cura matando.
Ainda hoje a maioria das empresas não foca na preparação, no treinamento, colocam os jogadores em campo e cada um faz o que dá conta.
cont.
Em empresas muitas vezes o que vejo é ainda pior, nem cortam o problema na raíz. Cortam sintomas. Existe um problema, que gera um segundo problema, e no terceiro nível alguém dá o grito de que tem algo errado. Cortam esse cara.