Construindo e destruindo sonhos

Neurose, termo cunhado por Freud, médico e criador da Psicanálise, o termo atualmente é utilizado como linguagem do cotidiano quando alguém quer se referir a uma pessoa até mesmo quando esta está estressada, diz-se: você está muito neurótico com este assunto por exemplo.

Contudo o termo trata de uma questão extremamente importante quanto a um tipo ou forma de funcionamento de nosso aparelho mental ou psiquê.

Na minha clínica estou atendendo um caso que gostaria de compartilhar com vocês. Eu já alguns anos tenho como prática clinica o estudo da história de vida do cliente. Este escreve a sua história pessoal e profissional em uma folha e a partir desta escrita nós vamos estudando as coincidências comportamentais de suas histórias de vida pessoal e profissional.

Até agora percebo que nós seres humanos repetimos em um lado da vida e do outro lado, ou seja repetimos no pessoal eventos do profissional e vice-versa. A maioria de nós não se dá conta das repetições, mas elas acontecem. O estudo da História auxilia a pessoa a se informar dos atos que vem repetindo, está longe de uma cura às vezes, mas pelo menos em termos de informação ela passa a saber os fatos, datas e situações aonde repete determinados comportamentos.

A caso deste cliente é o seguinte (bem resumido): desde pequeno ele tem por hábito, destruir coisas, sua mãe chegava em casa e ele estava desmontando a televisão, ou em outro momento desmontando os brinquedos que ganhava. Na adolescência ele se apaixonava por uma garota e logo arranjava um jeito dela terminar com ele. Na fase adulta ele empreendia um determinado projeto e logo começava a boicotar ou seja a colocar em prática um mecanismo de defesa para impedir que tal projeto desse certo. Quanto aos relacionamentos ele sempre iniciava as relações muito bem, mas com o passar do tempo aparecia o “desconstrutor” que logo arranjava um jeito de desmanhcar o relacionamento e na maioria das vezes era empreendido pelo outro, pois seu mecanismo de defesa é “isto não pode dar certo”, então de forma inconsciente ele sempre criava situações para que o outro o abandonasse ou o demitisse dos trabalhos.

E isto foi assim até que ele começou a tomar contato com sua história e ver que ao longo da vida algo estava se repetindo, os relacionamento mais estáveis, foram com o passar dos anos sendo desmanchados com menos tempo de relação, e nos trabalhos empresas que logo desmanchavam suas relações comerciais com ele. Quando ele começou a tomar “consciência” de sua história, de seus padrões de comportamento, ele simplesmente parou de empreender projetos profissionais com medo de que a repetição aparecesse, lógico que sempre que era abandonado em uma relação amorosa, ele sofria profundamente e sempre que um projeto dava errado, ele sofria muito.

O mecanismo então foi descoberto, o medo passou a fazer parte da vida dele, ele então tinha muitas idéias de projetos, mas não conseguia empreendê-las, pois tinha medo de sofrer e sempre que aparecia uma mulher interessante, ele nem tentava se aproximar, pois tinha medo de que logo na sequencia seria colocado para fora da relação e isto iria provocar sofrimento.

Você deve já estar se perguntando, e aí o que foi feito para curar? Bem, ainda não encontramos a cura. Algumas coisas me incomodam do tipo: até agora aprendi que o negativo evolui tal qual o positivo, ou seja, um sintoma chamado negativo vai evoluindo com o passar dos anos. No caso deste cliente, seu mecanismo de defesa foi ficando cada vez mais eficiente, ele criava situações cada vez mais elaboradas para que o outro desconstruisse a relação com ele.

Isto me remeteu à teoria da evolução, tanto nossas habilidades, o positivo, quanto o sintoma, o negativo, evoluem com o passar dos anos, pois ambos vivem junto num mesmo corpo e recebem alimento ou determinados comportamentos, atitudes e pensamentos fazem com que habilidades e sintomas vão crescendo e evoluindo.

Pensei em várias hipóteses até em criar situações para não alimentar o sintoma, para que este morresse de fome, digamos assim. Bem, pela minha formação espiritualista creio que matar seria algo que não está nas opções do Criador por exemplo, eu aprendi que o Criador não mata a criatura. Então logo descartei a opção de matar o sintoma, passou pela minha mente algo como educar, tal qual ocorre na espiritualidade quando um ser negativo passa por um processo de reeducação, feito pelos seres de Luz.

O que não fazer acho que é um caminho, mas ainda não sei exatamente o que fazer para que o sintoma evolua para o lado do “bem”, Vou denominar este caso de VESA01, quando evoluirmos, eu e o cliente para uma metodologia de cura comunicamos a vocês.

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