Muitos plantam, uns poucos colhem.

Modelo é algo interessante principalmente quando este permeia uma boa parte da sociedade. Vejamos o que ocorre nas empresas, em geral uns poucos cargos são remunerados com altos salários, por exemplo os diretores e os gestores, coincidência ou não em um time de futebol ocorre algo parecido, quem ganha mais são normalmente técnico do time, o artilheiro e o dono do time, em um hospital não é diferente os médicos recebem em média 10 vezes o salário de um auxiliar de enfermagem. E por aí vai a sociedade está recheada de exemplos aonde poucos ganham muito e muitos ganham pouco.

Este modelo econômico vigente é assim, a importância não está na pessoa e sim no cargo que ela ocupa. O corpo humano é um modelo de estudo sistêmico que deve ser observado em várias situações. Temos no corpo órgãos vitais, ou seja órgãos que tem maior importância no que tange a manutenção da vida, mas todo o corpo funciona de forma sistêmica, todos os órgãos tem a sua importância no processo, se um falha compromete todo o restante.

Nas empresas isto também ocorre, se um membro da equipe falha compromete o restante, num time se um jogador falha pode comprometer o resultado de um jogo por exemplo.

E o que fazer então para construir um modelo diferente do atual? Gosto de analisar a natureza, quando chove, neva, venta, ou mesmo em um dia ensolarado, todos os membros do reino animal ou vegetal que estão num determinado lugar recebem a chuva ou o vento por exemplo. Não chove mais numa árvore e menos em outra que está a dois metros da primeira, ou se ocorre uma seca numa determinada região não ocorrerá somente para uma árvore ou um animal.

Mesmo que os eventos da natureza sejam locais, ou regionais, afeta a um sistema, não a um único exemplar da natureza. Um modelo interessante para as empresa é o modelo onde muitos plantam e muitos colhem.

Os planos de negócios deveriam avaliar inicialmente as pessoas, suas reais habilidades, ou expertises, feito isso alocar as pessoas no projeto de crescimento da empresa de acordo com suas habilidades, tal qual ocorre em um time, goleiro no gol, defensor na defesa, ataque no ataque. Alocadas as pessoas verificasse o que será necessário para chegar aonde a empresa pretende chegar, a empresa tem as ferramentas necessárias? A equipe tem as habilidades necessárias? O dono da empresa ou diretor está preparado? Tem as habilidades necessárias para conduzir o processo?

Somente depois que todos estão prontos que se inicia a caminhada, e lembrando que imprevitos ocorrem, espera-se que alguém tenha pensado nos planos B e talvez no C.

Confesso que o sistema de remuneração, que é o que normalmente preocupa a todos ainda é algo complexo de se definir, pelo menos de forma diferente da atual. Quando olhamos para a sociedade não temos muitos exemplos de modelos que se adaptariam às empresas a não ser o modelo econômico em vigência. Ou a empresa é limitada ou sociedade anônima, ou OCIP, ou ONG, ou Cooperativa, ou fundação.

Ou se tem um modelo aonde poucos ganham muito e muitos ganham pouco, ou modelos aonde o objetivo não é lucro, são modelos mais orgânicos, mas que não atendem a maioria dos empresários.

Como ainda não tenho uma sugestão de modelo para ser aplicado largamente nas empresas prefiro terminar este artigo com questões que auxiliem em algumas reflexões.

Será que o caminho é termos um modelo que abarque todas as empresas? Será que o caminho não seria termos modelos diferentes para pessoas e empresas diferentes? Será que a padronização dos anos 80 não embotou projetos sistêmicos em detrimento de organizar tudo igualzinho? Porque um gestor deve ganhar 10 ou 20 vezes mais que sua secretária? Porque um médico de um PSF ganha em média 8 vezes mais que os psicólogos, fisioterapeutas e demais técnicos? Porque um médico oftalmologista estuda 10 anos para fazer exame de refração enquanto em alguns países quem faz este exame fez um curso técnico? Porque os projetos de planejamento estratégicos em geral não levam em conta os reais desejos do empresário, ou suas reais habilidades?

Enfim, são muitas perguntas e poucas respostas, é hora de meditar, pois por mais comum que seja a afirmação a resposta está dentro de nós e a meditação é uma forma de pescar a sabedoria que temos dentro e a partir daí sim temos condições de realmente saber o que é melhor para nós e para aqueles que estão ao nosso redor.

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