O fim do RH para o psicólogo (1).

RH ou recursos humanos, este termo é muito utilizado tal qual recurso hidrico ou recurso mineral. Será que podemos utilizar para pessoas da mesma forma que utilizamos para outras áreas da ciência? Será que o ser humano dentro das organizações é recurso?

Tese à parte, o que vemos nas empresas em geral é a utilização do termo recursos humanos e trabalhando com esta área está em geral um administrador ou um psicólogo.

Não tenho nada contra os administradores, mas me admira termos ainda psicólogos atuando com a área de RH. Em geral as áreas de RH’S recrutam, selecionam, treinam, avaliam perfil, desempenho, capacitam, criam formas de remuneração, etc.

Creio que a maioria das tarefas ou atividades do RH poderiam ser e podem ser executadas por um administrador. Contudo, quando há um psicólogo atuando dentro de um RH a meu ver ele é tudo menos psicólogo.

A psicologia é uma ciência ligada à transoformação de padrões mentais ou comportamentais e o que mais vejo nas empresas são psicólogos atuando no diagnóstico e pouco na transformação. Atuar como psicólogo organizacional ou seja é criar metodologias de intervenção que auxilie todo o grupo a mover ou agir no sentindo de mudar a si mesmo, criando novos padrões mentais e de comportamento.

Infelizmente não é o que vejo nas empresas, vejo um psicólogo mergulhado dentro de um “status quo” e muitas das vezes submerso tão profundamente na cultura da empresa que pouco consegue fazer para auxiliar as pessoas a mudarem de verdade. Mesmo porque creio profundamente que a grande maioria dos problemas estão em um nível que a maioria dos psicólogos não tem acesso, estando imerso na estrutura da empresa.

O nível dos diretores e gestores normalmente é aonde as intervenções não chegam se o psicólogo está dentro da estrutura, pois a “empresa” não permite que ele atue neste nível e quando ele insiste muito normalmente é posto de lado ou demitido. Uma vez a minha psicoterapeuta disse-me: “perca o cliente, mas não perca o trabalho”.

A maioria dos psicólogos dentro das empresas perdem o trabalho para não perder o emprego. E isto para a ciência psicologia não é contrutivo, pois criamos uma ciência fraca e o resultado disto no mercado são os baixos salários que a classe recebe.

A minha tese é que os psicólogos que querem ser psicólogos organizacionais devem estar fora da estrutura da empresa e não dentro. Se colocar dentro da estrutura em geral limita a ação do psicólogo como transformador e o coloca no papél de fazedor de diagnóstico.

Não estou dizendo que é ruim ou bom, mas se quer ser psicólogo no sentido ou na essência da palavra o melhor é que este chegue na empresa ou na estrutura de fora para dentro.

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