É interessante como se dá os jogos de poder dentro das organizações, as pessoas em geral não se dão conta de como criam relações dentro do ambiente empresarial baseadas no conflito de forças utilizando o poder do cargo que ocupam ou mesmo baseado em alguma característica própria.
Principalmente em se tratando de homens isto ocorre com mais frequencia dentro das empresas, muitos exercem ainda seu poder de maneira autoritária, subjugando os demais para que façam o que “ele” determina que é o correto.
Acontece de às vezes um diretor ou presidente de uma empresa com base em sua experiência pregressa comandar até mesmo seus pares na direção da empresa para que estes caminhem de acordo com o que ele entende que é correto, ou seja “ele” acha que a empresa deve fazer isto ou aquilo e acaba forçando seus pares a acreditar ou aceitar que o que ele pensa é o mais certo a fazer.
Em alguns casos já presenciei situações onde tal comando é feito de maneira consciente onde o diretor sente e procura conduzir sua gestão de maneira a conquistar seus pares e colaboradores ou em alguns momentos ensinando ou construindo um pensamento e acima de tudo respeitando o que o outro sente ou pensa a respeito ou respeitando a história profissional, mas isto é coisa rara de ver em meu trabalho de consultoria.
O mais comum é presenciar diretores (homens) autoritários que não respeitam a história ou a bagagem do outro e quando “ele” não consegue o que quer numa discussão intelectual parte para as agressões verbais e muitas vezes tenho observado que neste ponto ele sai do papel de diretor para o papel de homem e ai em geral vence o que tem mais força, considerando cotas de participação ou mesmo capital investido ou vitórias conseguidas recentemente.
É interessante que venho estudando os paralelos biográficos de alguns clientes a mais de 8 anos e até o momento percebi que muito do que é dentro da empresa é feito também fora dela ou na vida pessoal.
E no caso de autoritarismo dentro da empresa é quase certo que a pessoa que o pratica faz o mesmo na sua vida pessoal com sua família ou amigos.
Atualmente tem um caso que está me intrigando pois ainda não formulei uma teoria ou um diagnóstico a respeito: uma diretora de uma empresa que é uma pessoa afável mas que vez ou outra em uma reunião tem a necessidade de colocar suas sócias abaixo dela intelectualmente falando, ela sempre se coloca acima pela sua experiência e faz uso da força verbal para que sua opnião vença, isto provoca constantes atritos entre ela e suas sócias. Acredito que ela tenha uma questão pessoal, mais interna que a leva a agir de maneira autoritária com suas sócias, mas acretido também que faz a mesma coisa em sua vida pessoal, já que tem mais condições financeiras que seu marido, acredito que de alguma maneira ela exerce a mesma arrogância que demonstra às vezes na empresa na relação com seu marido e seus filhos, ela os controla com o dinheiro. Enquanto na empresa exerce seu poder pelo seu prestígio, pela sua história profissional e pela sua posição de líder, exerce dentro da família usando a força do dinheiro.
Recentemente estive observando-a em uma reunião e me veio uma intuição que ela de alguma forma precisa se sentir poderosa em relação à suas sócias e ao invés de conquistá-las ela as coloca em posições dentro da empresa onde suas potencialidades não aparecem por completo, mas sim as suas dificuldades, desta forma ela se coloca numa posição de poder acima das sócias. O curioso da história é que as sócias no geral a respeitam e não percebem a maneira como ela conduz as coisas, mas também posso estar enganado em minhas observações. Como cientista estou curioso com o desfecho da gestão desta diretora, mas como consultor da empresa estou preocupado dos resultados que estão sendo gerados no dia a dia. Tenho procurado encontrar uma forma de conseguir assessorá-las a cada vez ter mais consciência de si mesmas para que o próprio sistema que elas constituem chegue a um outro nível de cosnciência e a partir daí passe a criar novos resultados.
Em breve divulgo o desenvolvimento do trabalho e os resultados apresentados.
Ola Evandro!
Achei muito interessante a maneira como vc aborda o conflito de poder dentro do mundo corporativo.
Suponho que como consultor vc tenha experienciado casos de todos os tipos, por isso gostaria de pedir sua opiniao quando falamos da melhor maneira (mais eficiente) de agir nesse jogo de poder. Digo nao so na cadeia vertical (chefe e subordinados) mas principalmente na horizontal, onde a briga por poder e defesa de interesses entre as areas/departamentos eh violenta e acirrada.
O que vc recomendaria a um gerente que quer sua area no topo da cadeia de poder e quer influenciar todas as outras areas internas relacionadas `a sua? Considere que muitos deles sao desse tipo que vc citou e querem ganhar tudo no grito.
Um abraco,
Fabiano
Fabiano é muito comum existirem pessoas que dentro de uma empresa querem superar as demais de qualquer forma. Usam de força muitas das vezes para alcançar seus objetivos. O meio empresarial é muito competitivo e quem não é ou não consegue ser pode achar que está sendo fraco e isto causa um certo desconforto. A agressividade é algo da natureza humana, todavia tem pessoas que a utilizam de maneira construtiva e outras de forma negativa ou destrutiva. Na natureza temos por exemplo o Leão e o Bicho Preguiça, qual é o melhor? Depende, não é. Em algumas situações um vai levar vantagem sobre o outro. No mundo dos negócios da mesma forma, procure sentir que “bicho” você é, ou seja, mergulhe dentro de si mesmo para saber em que vc é bom, quais suas reais habilidades e passe a ser mais elas durante mais tempo, daí vc tem mais chances de se destacar dentro do grupo, da empresa, vai se tornando expert em um determinado assunto ou tema daí passa a concorrer naturalmente sendo agressivo não nas atitudes, mas no posicionamento. Boa sorte. Evandro Luiz Borges